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Desde a experiência de Muhammad Yunus, responsável pela primeira instituição de microfinanças em Bangladesh – o Grameen Bank, que lhe rendeu o prêmio Nobel da Paz em 2006 –, o microcrédito tem ocupado lugar privilegiado no combate aos problemas de pobreza e de desigualdade de oportunidades. Em Impacto em renda do microcrédito, lançamento da Editora Peirópolis, Mario Monzoni, coordenador do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Faculdade Getulio Vargas, catalisa o debate acerca do microcrédito a partir da teoria e da análise de seu histórico mundial, apresentando um estudo inédito do programa São Paulo Confia – que desde 2001 garante acesso a crédito aos pequenos empreendedores de sete bairros da periferia de São Paulo.
Segundo Ciro Biderman, economista e doutor em Economia de Empresas pela FGV/EAESP, que assina o prefácio da obra, “Mário Monzoni oferece neste livro uma visão integrada do tema, além de adicionar evidências obtidas dos dados do programa São Paulo Confia. É uma das poucas evidências para o Brasil, país em que as microfinanças ainda desempenham papel bastante secundário. Neste sentido, o livro, inspirado em sua tese de doutorado, deve ter um papel relevante para aumentar o foco em soluções alternativas (e complementares) aos programas tradicionais de distribuição de renda e de seguro que hoje representam uma parcela considerável do orçamento público”.
Este livro apresenta uma nova geração de microfinanças, que têm em seu cerne inovações institucionais que, por exemplo, utilizaram o sistema de empréstimo para grupos de pessoas, e não para indivíduos, como meio de combate à inadimplência. Outro exemplo é o empréstimo gradativo que cresce conforme o comportamento do tomador. Essa evolução permitiu que dois cases cuidadosamente apresentados por Monzoni: o Grameen Bank, que opera com uma carteira de 2 milhões de clientes, e o Banco Sol, na Bolívia, que possui 80 mil clientes, com uma taxa de inadimplência baixa e financeiramente sustentável.
Monzoni optou por focar sua pesquisa empírica nas organizações mais comuns no Brasil: organizações de microcrédito sustentáveis financeiramente e que atingem um nível superior da pobreza, preocupadas em garantir crédito para empresas muito pequenas cujos proprietários não têm acesso ao mercado usual – e não como seguro social, como acontece nos níveis extremos de pobreza. Não por acaso, o case selecionado para exposição latente é o programa São Paulo Confia, totalmente sustentável em termos financeiros.
Sobre a Editora Peirópolis:
Criada em 1994, como unidade de sustentabilidade da Fundação Peirópolis – entidade sem fins lucrativos de interesse público federal, a Editora Peirópolis tem como missão contribuir para a construção de um mundo mais solidário, justo e harmônico, publicando literatura que ofereça novas perspectivas para a compreensão do ser humano e do seu papel no planeta. Suas linhas editoriais oferecem formas renovadas de trabalhar temas como a ética, cidadania, pluralidade cultural, desenvolvimento social, ecologia e meio ambiente – por meio de uma visão transdisciplinar e integrada. Além disso, é pioneira em coleções dedicadas à literatura indígena, à mitologia africana e ao folclore brasileiro. A editora está absolutamente afinada com os propósitos do terceiro setor, participando ativamente do crescente movimento de sua profissionalização.
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